Thamiris Andriani
A partir de R$ 660,00
Na capital do chope, o brunch é a refeição que nenhum restaurante entrega. O chef pessoal monta tudo na sua casa — ovos beneditinos, café especial da Alta Mogiana, frutas geladas e mimosas — enquanto você recebe os convidados à sombra.
Ribeirão domina o chope, o churrasco e a pizza — mas um brunch demorado de fim de semana, com estações de doces, salgados e bebidas, simplesmente não existe no cardápio da cidade. Para as famílias do Bosque das Juritis, do Jardim Botânico e da Vila do Golf, o chef pessoal preenche exatamente esse vazio, dentro de casa.
Com verões longos e secos passando dos 35°C, ficar sobre o fogão no meio da manhã é castigo. O chef antecipa o horário do serviço, aposta em tábuas geladas, cold brew e sucos frescos, e monta a mesa na beira da piscina ou na varanda sombreada — receber no clima de Ribeirão deixa de ser esforço físico.
A região da Alta Mogiana, com indicação geográfica de café especial, começa praticamente na divisa do município — e Ribeirão é a Capital do Chope e das Cervejas Artesanais, com mais de 25 cervejarias. Só aqui um brunch pode terminar com coado de origem única ao lado de uma régua de artesanais locais.
Aniversário pela manhã, chá de bebê, encontro pós-plantão da turma do HC ou recepção de clientes na semana da Agrishow — informe o número de convidados (o comum é de 4 a 15), o local e o formato, do buffet na piscina ao brunch empratado.
O chef propõe o equilíbrio de doces, salgados e bebidas, garimpando queijos e doces no Mercado Municipal da Rua São Sebastião e grãos da Alta Mogiana para a estação de café. Restrições alimentares moldam o menu desde o rascunho.
O chef chega cerca de duas horas antes, resolve a entrada na portaria do condomínio, arma as estações e liga o forno. Os ovos saem na hora conforme os convidados chegam; mimosas e cold brew circulam sem que você levante da cadeira.
Servido o último café, o chef desmonta tudo e entrega a cozinha impecável. Sua tarde de domingo — piscina, sesta ou mais uma artesanal gelada — começa sem uma louça na pia.
Ribeirão Preto tem renda per capita de país europeu, condomínios fechados repletos de casas com piscina e uma classe profissional — cirurgiões e residentes do complexo HC-USP, usineiros, fundadores de agtechs — que recebe o tempo todo. O que a cidade não tem é cultura de brunch nos restaurantes. E os chefs de São Paulo não encaram os 315 km de estrada. A resposta é local: um chef que já vive aqui e conhece as portarias do Bosque das Juritis e da Vila do Golf pelo nome.
A despensa regional é um trunfo silencioso. O Mercado Municipal da Rua São Sebastião fornece queijos, doces e pimentas; o cinturão canavieiro entrega melado, rapadura e cachaça artesanal para os drinks da manhã; e a Alta Mogiana coloca na mesa um dos melhores cafés especiais do Brasil — a diferença entre encerrar o brunch com um cafezinho e encerrá-lo com um verdadeiro curso de café.
No calendário, a demanda segue o ritmo da cidade: a semana da Agrishow, entre o fim de abril e maio, lota as casas de convidados do agronegócio; junho traz sabores juninos para a mesa doce; e o período escaldante de dezembro a fevereiro empurra tudo para menus gelados servidos cedo. Na semana da Agrishow, em especial, as agendas dos chefs fecham rápido.
Dica Local
Peça ao chef para encerrar o brunch com uma régua harmonizada de artesanais locais — Ribeirão foi eleita o melhor destino de cerveja artesanal do mundo pelo Booking.com em 2021, e uma witbier ao lado da mesa doce é o gesto ribeirão-pretano que os convidados vão comentar.
O brunch feito pelo chef em casa costuma custar o que o mesmo grupo gastaria num almoço de fim de semana nas churrascarias sofisticadas da cidade — só que com cardápio seu, café da Alta Mogiana e nenhuma fila.
R$60–R$200 por pessoa no formato buffet; brunch empratado, em cursos, na faixa de R$80–R$350 por pessoa
Café especial ao norte, título de capital da cerveja artesanal em casa e um chef pronto para colocar os dois na sua mesa. Reserve e receba a manhã que faltava em Ribeirão.